AMIGOS de ANDRÉ MUSTAFÁ

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O que é cenografia?


Uma cenografia não é um telão;
é um envolvimento. Representa-se
em cena, não em frente dela.
[...] Uma boa cena não deve ser
uma pintura, mas uma imagem. [...]
É um sentimento, uma
evocação, uma presença,
um estado de alma,
um vento morno que
ateia as chamas do drama.

Robert Edmond Jones.

A cenografia não pode e nem deve ser a vedete do espetáculo. Mas deve, isto sim, buscar atender às exigências da peça, à proposta da direção: criar uma linguagem para o espetáculo. O cenário não pode ser desenhado apenas para agradar os olhos do espectador e muito menos para satisfazer a vaidade do cenógrafo.

O trabalho bem entrosado do diretor e do cenógrafo é essencial para a consecução da unidade do espetáculo. Pois, fundamentalmente, o espetáculo, no seu todo, realiza uma convergência de visões, apresentando em cena o resultado da união.

Por isso nunca é demais frisar que cenografia não é decoração, nem composição de interiores; cenografia não é pintura nem escultura: é uma arte integrada. Nunca é demais repetir que cenografia é a composição resultante de um conjunto de cores, luz, forma, linhas e volumes, equilibrados e harmônicos em seu todo, e que criam movimentos e contrastes. Cenografia é um elemento do espetáculo — ela não constitui um fim em si.

Portanto, o resultado do trabalho de cenografia passa pelo difícil exercício de ser uma arte a serviço de, como disse bem Aldo Calvo, a arte de interpretar o texto visual e cenotecnicamente, respeitando e solucionandoodo o critério de marcação, criando uma forma de encantamento num período curto e rápido, para que as cenas possam se desenvolver dentro do espaço que ela propõe, tirando partido dos materiais cênicos que ela promove. Na verdade é o cenógrafo quem, de princípio, determina a área de ação, não o diretor. Porque é com o espaço criado pelo cenógrafo que fica estabelecida a área útil do trabalho, dentro da qual ele fará as marcações.